Apesar de os video games serem um meio audiovisual relativamente novo,
especialmente se o compararmos com o cinema, esse meio apresenta desde
seu começo características pouco exploradas por outras mídias. O maior
exemplo disso é a existência de franquias extremamente duradouras que
continuam a influenciar muito do que é produzido atualmente.
Por mais que o tempo passe, existem séries que conseguem manter a sua
popularidade durante uma grande quantidade de tempo, sem que isso
pareça ter uma data para acabar. Exemplo maior disso é Mario, o famoso mascote da Nintendo que, desde 1985, é sinônimo de games de plataforma e nunca foi realmente superado por qualquer um de seus rivais.
Neste artigo, procuramos citar alguns dos nomes mais influentes e
duradouros do mercado que, mesmo enfrentando algum tipo de dificuldade
em suas trajetórias, parecem que vão continuar vivos durante muito
tempo.
O que torna um game duradouro?
Determinar os fatores que tornam um game parte da memória coletiva não é
exatamente uma tarefa fácil, por mais que certos pontos surjam para
justificar essa posição. Atributos como uma jogabilidade precisa,
técnicas de narração inovadoras e personagens carismáticos contribuem
muito para isso, mas não necessariamente resultam em títulos que vão
resistir ao teste do tempo.
Talvez o caráter que melhor sirva para determinar se um título vai ser
duradouro ou não é o seu número de vendas. Como antes de qualquer coisa a
indústria dos games precisa de lucros, é normal que só ganhem
sequências as produções que geraram algum resultado financeiro positivo —
e até mesmo nesse caso há exceções.
Exemplo disso são os games da série The Elder Scrolls, que até o lançamento de Oblivion agradavam somente a um nicho bastante específico de jogadores. Somente com a chegada de Skyrim é que a série se tornou verdadeiramente popular e teve seus méritos reconhecidos por grande parte dos meios especializados.
Mantendo a inovação
Outro meio através do qual muitos games se mantêm relevantes é através
de mudanças constantes em seu foco. Um belo exemplo disso são as
produções de Hideo Kojima que, apesar de compartilharem temas em comum,
sempre procuram brincar com a expectativa dos consumidores.
Toda a série Metal Gear Solid
é prova disso: apesar de manter a mecânica básica, refinada ao longo de
cada novo jogo, a franquia sempre tenta mostrar algo de novo. Em Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty,
Kojima quebrou expectativas ao apresentar Raiden como protagonista no
lugar de Solid Snake — estratégia que prosseguiu no terceiro game, em
que o foco da trama passou a ser Big Boss.
Claro, não é possível esperar que um game consiga permanecer totalmente
original durante toda a sua vida, mas é indispensável adicionar
novidades a uma fórmula para mantê-la fresca. Como exemplo disso é
possível citar FIFA, que, após anos amargando perdas para o rival Pro Evolution Soccer,
sofreu uma grande reformulação em sua jogabilidade — a competição entre
os dois continua forte, mas o título da Electronic Arts ganha cada vez
mais espaço entre os jogadores.
Reinventando a roda
Há casos em que a mera manutenção de uma fórmula ou a incorporação de
novidades não é suficiente para manter um nome vivo no mercado. Tomb Raider, por exemplo, deve ganhar uma nova cara pelas mãos da Crystal Dynamics.
Outras séries também tiveram que passar por situações semelhantes para permanecer relevantes. Nomes como Castlevania, Metroid e Donkey Kong
geraram títulos de sucesso ao incorporar novos pontos de visão ou ao
ter suas raízes resgatadas por empresas interessadas em renová-los.
Uma estratégia interessante nesse sentido foi incorporada pela Electronic Arts na série Need for Speed.
Recentemente, a empresa decidiu dividi-la em três estilos diferentes de
jogabilidade, deixando cada um sob a responsabilidade de um estúdio — o
resultado foi o lançamento de versões com subtítulos como Shift e The
Run, cada uma visivelmente distinta das demais.
Uma nova mudança de rumo da série deve ser visto em breve com o lançamento de Need For Speed: Most Wanted. Desenvolvido pela Criterion Games,
o novo título tem tudo para apresentar elementos inéditos à franquia,
tirando muito proveito do que o estúdio aprendeu durante a criação de Burnout.
Redefinindo gêneros
O que ajuda uma série a se manter sólida no mercado também é o grau de
novidade que ela trouxe durante seu lançamento. Enquanto games como Devil May Cry e God of War ajudaram a estabelecer regras básicas para jogos de ação em ambientes tridimensionais, Assassin's Creed e Grand Theft Auto
se destacaram por explorar de maneira surpreendente um mundo aberto —
elementos como esses ajudaram a tornar esses nomes extremamente
reconhecidos, o que resultou na criação de diversas sequências.
Da mesma forma, produções como Half-Life e Call of Duty
tiveram grande influência sobre o gênero FPS, cada uma à sua maneira.
Enquanto o primeiro jogo mostrou como a narrativa poderia ser
incorporada à jogabilidade, o segundo estabeleceu os padrões seguidos
por esse estilo atualmente: cenas cinematográficas, energia recuperável e
multiplayer online com sistema de níveis.
Outro exemplo de título que redefiniu o mercado é World of Warcraft. Lançado em 2004, o game da Blizzard
virou sinônimo de MMORPG, criando um verdadeiro manual de regras que
devem ser seguidas por qualquer produtora que queira desenvolver um
título de sucesso no estilo — apesar do desgaste relacionado ao seu
grande tempo de vida, o game continua recebendo atualizações capazes de
manter milhões de pessoas presas a seu universo.
Já Gears of War
até hoje serve como modelo para jogos de ação em terceira pessoa por
ter virado símbolo da jogabilidade baseada no uso de coberturas. Apesar
de não ter sido o primeiro título a incorporar um sistema do tipo, a
produção da Epic Games virou um marco por ter sido pioneira em sua utilização correta.
Sobrevivendo do passado
Também não é possível ignorar que muitas franquias de peso não
sobrevivem de seus méritos atuais, mas sim dos frutos de um passado
brilhante. O maior exemplo nesse sentido é Sonic, que penou para se adaptar ao mundo tridimensional e conta com diversos fracassos de crítica em seu currículo.
Somente com o lançamento de Sonic Generations é que o ouriço da SEGA
voltou a ter algum respeito nos tempos atuais. Mas, para isso, foi
necessário que o jogo voltasse às suas origens e deixasse de lado
tentativas de incorporar elementos novos que não funcionam da maneira
esperada.
Há até mesmo quem argumente que a série The Legend of Zelda está prestes a se tornar esse tipo de jogo. A recepção um tanto quanto morna à Skyward Sword
em alguns meios fez com que muitos se perguntassem se já não era hora
de a Nintendo repensar a fórmula estabelecida em Ocarina of Time, que
está sendo reutilizada (com as devidas adaptações) até os dias de hoje.
Da mesma forma, nomes como Street Fighter e Mortal Kombat,
durante muito tempo, sobreviveram dependendo da memória de seus fãs.
História que só mudou recentemente, com o lançamento de títulos que
incorporavam novos elementos, mas que não deixavam de lado as
características responsáveis pelos sucessos do passado.
Aposta arriscada no que é seguro
O maior risco que séries consagradas enfrentam é o de parar no tempo,
apostando somente na repetição de uma fórmula que parece dar certo
independente da situação. Games como Pokémon e Dragon Quest
mantêm seus sistemas de jogo praticamente inalterados desde as suas
versões iniciais — algo que parece não tê-las prejudicado em nenhum
sentido.
A Blizzard talvez seja o nome que melhor consegue oferecer aos
jogadores experiências não necessariamente inovadoras, mas que
apresentam elementos tão polidos que fica difícil criticá-las. Games
como StarCraft 2: Wings of Liberty e Diablo III provam que, mais do que inovar, a empresa sabe como ajustar uma fórmula consagrada para torná-la ainda melhor.
Também há casos em que apostar nas mesmas fórmulas pode se provar algo arriscado. Como exemplo, podemos citar Resident Evil: apesar de no quarto capítulo da série principal a série ter se reinventado completamente, há quem reclame que, já a partir de Resident Evil 5, a Capcom começou a perder o rumo novamente.
Infelizmente, a opção pela repetição pode decretar até mesmo a morte de
personagens consagradas, cuja importância no mundo dos games é
inegável. Exemplo mais emblemático disso é Mega Man, que não deve figurar em nenhum título próprio em um futuro muito próximo.
Fonte: BaixakiJogos
Postado por Old Edu














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